segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Breve impressão

As pessoas me causam infinitas sensações, com devem causar a todos. Enojam, cativam, conquistam, repudiam, atraem, enjoam, irritam, acalmam, e esse monte de palavras terminadas em “m” me causam certa estranheza. O problema é que as pessoas dizem, falam de mais e, na ânsia de acrescentar, acabam se equivocando com as próprias palavras.

Comecei a escrever isso porque pensei numa frase que julguei boa: -... – mas não acho adequado ainda pô-la aqui. O caso é que, a meu ver, as pessoas não se importam com as outras. Ou pior. Apenas fingem se importar quando, na verdade, estão pensando em dar uns beijinhos naquela pessoinha que conhecera outrora, ou então no que vão fazer no fim de semana, ou até mesmo na cansativa jornada de trabalho que terão até o fim da semana. Não consigo saber se faço parte desse infinito grupo (pois escrevo isso pensando, justamente, no quão ruim é essa atitude e se não tivesse autocensura para corrigir meus erros estaria sendo muito hipócrita, o pior dos hipócritas, um hipócrita acusador.), porém me senti na obrigação de provar a mim mesmo que todos são assim. Posso até cair no lugar-comum quando digo que o mundo de hoje nos obriga (ou não) a sermos assim, ou que talvez todos pensem que a culpa é única e justamente da grande vilã conhecida por todos: a aparência; o parecer; o querer ser. Ou talvez nem seja isso. Seja a vaidade; o querer sobressair; o passar por cima; o eu sou (ou sei) mais.

Uma frase que pode ilustrar perfeitamente essa sensação é de Nelson Rodrigues quando diz que “o que conhecemos hoje por diálogo é, na verdade, um monólogo respondido de outro monólogo”, e é isso mesmo (lembrando que Nelson Rodrigues morreu em 1980, e mesmo assim, continua atualíssimo). Talvez esteja voltando a minha tímida hipocrisia, mas hoje ninguém quer só um monólogo. Fazem isso porque é essa a lei da selva contemporânea. O motor da convivência e, quiçá, da sobrevivência. Mas a verdade é que queremos diálogos, dois pontos, outras linhas, travessões ou vírgulas, reticências, ganchos, todas essas coisas para mostrarmos nosso ponto de vista e sermos entendidos, respeitados, solicitados, atendidos e ainda por cima que peçam, supliquem, implorem para que falemos e ouçamos, tudo isso com a maior atenção e curiosidade. E desejo, acima de tudo.

Bom, sem mais.