E de repente começou a chover. A desatenção o impediu de ver que as nuvens estavam mais baixas e negras. E assustou-se quando a chuva fez barulho em seu telhado. Mas a chuva é a chuva e sempre vai ser. Mais ou menos ácida, depende do poder econômico. E é natural que se chova. E é querido que se chova. E é preciso que se chova, que haja sol, e vida e vento e frio e calor. E é natural também que existam pessoas desatentas, pensando em mulheres, em provas, em trabalhos ou em nada e nem percebam as nuances das nuvens, com talento ou não para chover. E é natural que pessoas prefiram coisas diferentes, pessoas diferentes, afinal Brad Pitt se cansaria se não fosse assim. E pensando nessas coisas todas decidiu que não gostava do “morno”.
E o morno, hoje, é um estilo de vida, um aspecto cultural difundido entre classes, regiões, etnias, credos. Hoje, a “mornidade” ou “mornez” é a tônica do ser humano, é o que o orienta a tomar as decisões. Ou é o avesso de tudo isso. É o que faz fraco, passivo. É o não-estilo de vida. É o fácil, o cômodo, o certo. O sem erro. E o sem brilho. É o “mas esse calor, e o suor, que droga!” de quando está quente. Ou o “que saco essa gripe, e as roupas, e o banho e o despertar” de quando está frio. Nem tão quente a ponto de queimar a língua nem tão frio a ponto de congelá-la. Ou seja. Morno. É a derrota, o marasmo em forma de lamento, de covardia. Lamento de não ter nem tentado. Covardia de não levantar a própria bandeira.
E o mundo fica com mais homens, mulheres, médicos, engenheiros, empresários, e menos pessoas. E a cada dia ficamos mais mornos.
E o morno, hoje, é um estilo de vida, um aspecto cultural difundido entre classes, regiões, etnias, credos. Hoje, a “mornidade” ou “mornez” é a tônica do ser humano, é o que o orienta a tomar as decisões. Ou é o avesso de tudo isso. É o que faz fraco, passivo. É o não-estilo de vida. É o fácil, o cômodo, o certo. O sem erro. E o sem brilho. É o “mas esse calor, e o suor, que droga!” de quando está quente. Ou o “que saco essa gripe, e as roupas, e o banho e o despertar” de quando está frio. Nem tão quente a ponto de queimar a língua nem tão frio a ponto de congelá-la. Ou seja. Morno. É a derrota, o marasmo em forma de lamento, de covardia. Lamento de não ter nem tentado. Covardia de não levantar a própria bandeira.
E o mundo fica com mais homens, mulheres, médicos, engenheiros, empresários, e menos pessoas. E a cada dia ficamos mais mornos.
